segunda-feira, 14 de junho de 2010

Sem terras ligados ao MST ocupam entrada de fazenda em São Paulo do Potengi

Quem passa pela estrada que liga os municípios de São Paulo do Potengi e São Tomé, na RN203, se depara com um amontoado de casebres feitos de lona preta e restos de faixas de eventos. Nessa localidade, distante da capital, há quase um mês 250 famílias ocupam uma área defronte à Fazenda Cachoeirinha, de propriedade dos herdeiros de Francisco Brito.

De longe já se avista a bandeira vermelha do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) hasteada bem próxima da entrada da porteira que dá acesso a fazenda. Nas margens da rodovia, uma população formada por crianças, jovens e idosos tentam construir suas improvisadas moradias debaixo de um Sol escaldante. Algumas motos e carros são observados em frente dos barracos, o que leva a crer que não são apenas pobres agricultores que estão ali, mas outras pessoas da cidade, inclusive alguns proprietários de padarias e até de motéis, como foi sugerido por uma fonte que não quis se identificar na matéria.

Se realmente os coordenadores principais do assentamento são donos de empresas, o movimento perde sua característica principal e passa a ser um movimento sem fundamentos, sem princípios. Toda aquela gente estacionada debaixo do sol não passará de massa de manobra para esses empresários, que se utilizam da necessidade de homens do campo, sem estudos, para conseguir cadastro e garantias do governo federal para quem sabe, depois, lotear as terras.

É com base nessa informação que o fazendeiro Márcio Brito, um dos herdeiros de Francisco Brito, tenta resolver o caso de modo diferente. “Não sou contra a reforma agrária, mas deixar que as terras de nossa família, que tem 250 cabeças de gado, sejam ocupadas sem ordem e por homens que querem apenas lotear e vender aquilo tudo, isso eu não aceito”, desabafou Brito.

O Sistema Faern/Senar apóia a decisão do fazendeiro e afirma que esse assentamento é chefiado por alguém de fora. “A Faern/Senar não acredita que essas terras, se forem desapropriadas pelo Incra, serão trabalhadas por esses agricultores que estão na beira da estrada, mas sim pelos empresários locais que estão comandando o movimento de longe e usando esses pobres homens como bucha de canhão”, disse José Álvares Vieira, Presidente da Faern.

“Acampamento Retomado Camponesa”

Na entrada que dá acesso a casa do morador da fazenda, uma inscrição chama a atenção em um pedaço de muro esquecido pelo tempo. Com tinta preta está escrito: Acampamento Retomado Camponesa. E é nesse letreiro informal que todos os sem terra ali instalados depositam seus sonhos. Uma luta de várias décadas, mas que pode perder seu sentido quando esses ideais se misturam com a ganância de empresários que visam apenas às benesses do governo e que vêem nesses agricultores apenas peças que serão jogadas fora mais a frente. “Temos que ter muito cuidado com toda essa questão, com esses elementos que somente desejam ver o circo pegando fogo, e que colocam seus interesses acima da lei e que tentam esmagar os direitos dos proprietários das terras, utilizando os agricultores como arma”, revelou José Vieira.

Incra quer assentar 600 famílias até dezembro


Até dezembro de 2010, o Incra tem a meta de assentar 600 famílias em todo o Rio Grande do Norte. Mas até que se concretize a desapropriação de um imóvel, é um longo processo. E é durante esse tempo estipulado pelo órgão federal que o fazendeiro Márcio Brito quer mostrar suas argumentações. “Espero que o Incra observe melhor a nossa propriedade e veja que ali existe trabalho. Somente assim nossa família ficará mais tranqüila em relação a toda essa questão” Finalizou Brito.

Com Paulo Correia

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