segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Ato público exige resolução da morte de professora mineira


A demora nas investigações policiais sobre o sequestro e a trágica morte da professora mineira Marildes Marinho, na Bahia, provocou um ato público de repudio, nesta segunda-feira (03), nas dependências do Centro de Convenções de Natal durante a 34ª Reunião da ANPEd.
No encontro de educadores, a lembrança sobre o sequestro seguido de morte ocorrido no dia 19 de julho, em Itamarajú, interior da Bahia, foi destacado em ato de repudio organizado pelos professores, direção da ANPEd e organizadores do movimento “Indign-Ação”.

Na oportunidade, os integrantes da movimentação explicaram que desde aquela data, muito pouco foi apurado pela polícia, e que os seqüestradores da professora, que ministrava aulas no curso de formação de professores indígenas da Faculdade de Educação da UFMG, e que estava na Bahia a trabalho, ainda continuam impunes.

De acordo com a professora Dalila Andrade Oliveira, presidente da ANPEd, esse ato serviu para alertar a sociedade sobre o caso e pedir maior empenho da polícia no caso. “Foi um chamado de alerta. Um pedido de todos os professores e dos familiares de Marildes pela resolução deste crime”, ressaltou Oliveira.

O caso   

Marildes Marinho, 57 anos, e o marido André Meurethe de Oliveira, 45, estavam em uma Pajero de cor prata de placa de Belo Horizonte. Eles foram abordados por bandidos que estavam em uma picape e obrigaram o casal a parar o carro ameaçando-os com armas. Dois dos bandidos, neste momento, passaram para o carro do casal.

Enquanto um dos ladrões ia roubando os pertences do casal, o outro ia dirigindo o veículo, que seguia a picape. Em uma curva, em um local conhecido como Toco Azul, o carro perdeu o controle e capotou três vezes. Após o acidente, a picape retornou e os bandidos fugiram. André pediu por socorro, mas quando a ambulância chegou Marildes já estava sem vida. A hipótese de assalto foi reforçada porque dentro da picape a polícia encontrou cartucho calibre 12.

Nesta segunda-feira (03), os organizadores informaram que esse ato público é maior, e que outras manifestações poderão ocorrer em breve para lembrar a morte da professora. “Também estamos organizando um dia especial para homenagear os nossos colegas que morreram em trabalho e que não tiveram suas mortes apuradas como mereciam. Será o dia da “Memória contra o Esquecimento”, explicou Dalila Oliveira.

Vida acadêmica

Graduada em Letras e mestre em Educação pela UFMG, era professora da FaE há 19 anos.
Marildes Marinho era doutora em Linguística pela Universidade Estadual de Campinas, com estágio de doutorado sanduíche no Institut National de Recherches Pedagogiques (Paris). Pós-doutora pela École des Hautes en Sciences Sociales (Paris), foi pesquisadora visitante no Centre for Language, Discours and Communication, do King's College (Londres). 

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